Sinais da crise – capítulo 7
Neste capítulo deixaremos o trânsito de lado. Passaremos a falar das cidades. Aliás a palavra cidade lembra muito a palavra cidadão, certo? Algum dia você parou pra pensar que essas duas palavras estão completamente relacionadas entre si? O cidadão é parte integrante da cidade e agente principal de suas mudanças. Portanto, é possível afirmar que o cidadão deveria ser o principal guardião/zelador de sua cidade.
Deveria, mas na prática isso não ocorre. As cidades estão sufocadas, caóticas, insustentáveis. E alguém duvida de que todos nós somos os responsáveis por este quadro? Se há duvidas é chegado o momento de refletir:
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Somos nós que construímos nossas casas de forma irregular. Ocupamos nossos terrenos com maior metragem de construção do que o permitido por lei. Impermeabilizamos todas as áreas não construídas que sobram;
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Somos nós que também construímos, às vezes, em áreas irregulares e seguimos o mesmo padrão de ação descrita logo acima. Neste caso cometemos dois erros de uma só vez;
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Somos nós que providenciamos os famosos “gatos” na energia elétrica, na água, no telefone, na tv a cabo e no que mais for possível. Com toda “cara de pau” negligenciamos a responsabilidade de pagar contas e impostos. Não estou aqui condenando os que não têm condições financeiras, mas apenas apontando erros que retornam em desgraça para nós mesmos;
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Somos nós que não recolhemos o lixo de forma correta. Sujamos as ruas e locais públicos;
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Somos nós que depredamos o bem público com pichações, furto, roubo e dano a telefones públicos, estátuas, placas de sinalização, semáforos, prédios, etc;
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Somos nós que estragamos o transporte público depois de assistirmos à derrota de nosso time do coração.
Estes e outros tantos exemplos demonstram a nossa falta de educação conosco e com os outros. Mas que problemas cada um destes exemplos podem causar? Por que tanta revolta por tão pouco?
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Ao construirmos nossas casas de forma irregular, ocupando mais terrenos e cimentando os espaços restantes, estamos impedindo a água de infiltrar no solo. A água acumulada num dia chuvoso correrá para a rua e se juntará a outros volumes d’água que se acumularão em pontos mais baixos ou sem escoamento;
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Grandes volumes d’água somados ao acúmulo de lixo nas ruas causa entupimento de bueiros e valas. Por conseqüência teremos os alagamentos e enchentes;
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Com os “gatos” estamos gerando custos para o restante da população que paga em dia suas obrigações. Quanto mais “gatos”, mais pessoas pagarão o pato pelos que não pagam. Significa que você está jogando a sua responsabilidade para outro;
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Depredando o bem público estamos somente gerando mais despesas para nós mesmos. São os impostos que pagamos que geram divisas para a prefeitura nos prestar serviços. E não adianta dizer que você nunca pagará impostos, pois até uma simples bala possui impostos embutidos em seu preço. Todo bem ou serviço adquirido possui um imposto agregado e que você paga sem ver. Quando estragamos o transporte público seremos nós mesmos que ficaremos sem veículos para nos levar ao trabalho.
Com tudo isso ainda tem gente que tem coragem de criticar a polícia, os políticos, o chefe, o professor. “Atire a primeira pedra aquele que nunca pecou!” Se você não cumpre suas obrigações como cidadão, não tem direito de cobrar de alguém alguma coisa. Devemos dar o exemplo ao invés de apenas reclamar e cobrar.
O cidadão é pertencente à cidade e a mesma depende diretamente do comportamento daqueles que nela vivem. Isso significa que a sua cidade poderia lhe dar melhores condições de vida se você se comportasse melhor em seu dia a dia. O verdadeiro cidadão sabe que possui direitos, mas para alcança-los precisa cumprir o seu dever. Em outras palavras: seremos recompensados pela proporção de dedicação que tivermos em relação a nossos deveres.
Você cumpre o seu dever? Antes de criticar e cobrar soluções é bom fazer uma reflexão sobre seu comportamento. Nossas cidades estão em crise devido ao somatório de irresponsabilidades que cada um comete. Estamos populacionalmente inchados, mas são poucos os verdadeiros cidadãos. Pense nisso.