Sinais da crise – capítulo 6
Todo final de ano a situação se repete: férias escolares, comemorações natalinas e festividades de ano novo. É a época mais utilizada para viajar a lazer ou para rever amigos/parentes. Se o deslocamento for por meio de rodovias torna-se fácil encontrar exemplos que o homem está se destruindo.
Já no início da viagem as estradas se encontram cheias e trânsito lento. Uma fila de carros segue ordenadamente enquanto outros vários procuram diferentes meios para “chegar primeiro”. Trafegam pelo acostamento, forçam a ultrapassagem, sinalizam insistentemente pedindo passagem, etc.
Não parece óbvio que todos estejam enfrentando as mesmas condições da estrada e, por tanto, não devem tratar de forma igual a todos que ali se encontram. O egoísmo e o desrespeito mais uma vez entram em cena. Após a passagem pelos trechos de maior movimento, as situações se repetem: ultrapassagens proibidas, velocidades excedidas, entre outras tantas formas de se desrespeitar as regras.
Em conseqüência de outras situações provocadas pelo próprio homem, caminhões e carretas trafegam com excesso de carga e seus motoristas dirigem sem descanso à base de remédios, álcool e drogas. Uma combinação “perfeita” de comportamentos exemplares. Deve ser por isso que desejamos sempre encontrar manchetes louváveis sobre a diminuição das mortes nas estradas. Aliás, a diminuição das mortes e dos acidentes nas estradas brasileiras é uma constante em nossas vidas, certo?
Por mais que as falas sejam repetitivas a situação não se altera. Todos os alertas, avisos e campanhas educativas são sempre estigmatizadas como “chatas” e inapropriadas. Nós não precisamos de ajuda, não é mesmo? Todos sabemos o que é certo e o que é errado e por isso cuidamos bem um dos outros, não é verdade?
As ruas estradas e rodovias são como as calçadas para os pedestres. O mínimo de educação e respeito deve existir para que todos se mantenham em segurança. Quando há necessidade de fila, devemos aguardar até que chegue a nossa vez, certo? Pois a estrada é uma fila de carros. Ultrapassar pelo acostamento ou de forma proibida é desrespeitar os que enfrentam calmamente a fila. Ao forçar a passagem apenas se transfere o problema do tráfego intenso, mas não se resolve o mesmo.
Da mesma forma que correr demais ou ultrapassar em locais inseguros não resolve um problema, mas potencializa o acontecimento de outros. Seja uma viagem a trabalho ou de lazer, não ter pressa e cumprir as regras é respeitar o direito seu e do outro de chegar ao destino com segurança. O mais importante não é chegar rápido, mas sim chegar. É importante lembrar que tudo que fazemos contra alguém ou para alguém, também nos pode ser feito na mesma medida ou de forma pior. Lembre-se: ninguém ganha a guerra, pois todos estão juntos na derrota!
26/02/2010 às 11:55 am
fabião,
Tem toda razão: a derrota é de todos. O trânsito, organizado a partir da lógica individualista do carro, se mostra um fracasso para os dias de hoje. É por isso que muitos países mundo a fora estão tornando suas cidades cada vez menos receptivas aos automóveis. Os políticos brasileiros continuam apostando nos viadutos e aqueles que tem carro aplaudem e votam, como no caso da linha verde, que de verde não tem nada. Saiu uma pesquisa dizendo que em 2 anos o trânsito de BH terá 12 horas de lentidão. É mole? A solução não está mais em obras para carro. É preciso organizar o trânsito para a coletividade, ou seja, é preciso investir em transporte público e infra para bicicletas (o meio de transporte da sustentabilidade).
Grande abraço e parabéns por suas contribuições por um mundo melhor.
julhão