Sinais da crise – capítulo 5

Já deu uma saída de carro hoje? Pegou o ônibus para ir ao trabalho? Certamente você deve ter presenciado alguma cena inusitada. O trânsito também nos mostra sinais de que a vida nas grandes cidades não vai bem.

Dirigindo ou no banco do carona, estar dentro de um carro nas movimentadas ruas e avenidas dos grandes centros e nas estradas, é quase o mesmo que estar numa guerra. Carros, motos, caminhões, ônibus, bicicletas e pedestres lutando por espaço. As ruas estão cada vez mais cheias de veículos, devido às facilidades de se financiar tal bem. Aumenta também o número de pessoas nas ruas, resultado da melhoria da expectativa de vida do brasileiro e do ineficiente planejamento urbano, que juntos produzem imensos e caóticos “aglomerados de gente”.

O veículo é, para muitos, meio de locomoção. Para outros, meio de ganhar a vida e, para outros tantos, “brinquedo de diversão”. O certo é que a competição por espaço nos mata a cada dia. A qualidade do trânsito obedece a um comportamento padrão da sociedade. Nos capítulos anteriores já foi possível detectar qual é o foco do Homem. Sendo assim, a tendência se mantém.

Um pensa que a rua precisa estar sempre livre para que ele chegue rápido ao trabalho. Outro, pensa ser dono da rua para parar o carro onde quiser e como quiser. Um terceiro acha que tem o direito de fazer uma conversão irregular porque não há autoridade de trânsito perto. No final, temos uma legião de seres individuais pensando exclusivamente em seu próprio bem. Desculpe a redundância, mas qual é mesmo o nome disso? Egoísmo, certo? Não é por coincidência que esta palavra aparece. Também não é por falta de repertório do BLOG.

Há um fenômeno sendo descrito aqui e você só não o compreenderá se não quiser. Motoristas se comportam como animais numa arena, brigando para alcançar uma vitória que não existe. Afinal, alguém sai de casa, vai para o trabalho e retorna para casa sem sofrer alguma conseqüência do trânsito atual? O que se percebe é que a situação piora a cada dia. Portanto, não há vencedores nesta guerra. Estamos todos juntos na derrota.

Alguns são capazes de dizer que nada se perde, ou que nunca perderam nada, não é mesmo? Mas a verdade é que todos perdem. Perdemos tempo, dinheiro, qualidade de vida, a paciência e até mesmo a vida. Aliás, várias vidas se perdem no trânsito. Tem gente comprando arma só para ameaçar aquele que o ultrapassar ou lhe der uma fechada. O carro já não é suficiente como arma, é preciso “garantir a vitória” com uma arma de fogo.

Enquanto isso continuamos fechando os olhos e criticando o governo, que “não faz nada” para melhorar a situação do trânsito nas ruas. Criticamos também os guardas de trânsito, que certamente estão na rua para multar indiscriminadamente. Eles sim, estão cometendo crime ao nos aplicar multas, certo? Opa, ia me esquecendo que o guarda é uma autoridade.

Pois é, nos esquecemos de nossas obrigações para com os outros e por isso contribuímos para piorar as nossas próprias vidas. O comportamento inadequado no trânsito, que nada mais é do que um reflexo de nosso comportamento cotidiano, constitui-se em mais um sinal da crise da humanidade. Não acredita? Não se preocupe. Todos nós não acreditamos em várias coisas. Por isso vivemos tão bem atualmente.

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