Quantos problemas os bancos lhe causam? Tenho certeza que são inúmeros. Mas por que a insistência com os bancos? Nada contra essas instituições. Nenhuma bandeira política ou social está sendo levantada e defendida por meio da exposição dos bancos. É só uma maneira prática de exemplificar mais um ponto fraco nas relações sociais e humanas.
Retroceda poucos anos na linha do tempo e você se recordará de enormes agências bancárias, cheias de guichês e de filas. As filas existiam em decorrência da pouca tecnologia e do perfil profissional para o atendente da época. Refletindo assim parece não ser nada bom voltar ao atendimento dos bancos do passado, correto? Mas há.
No passado, a ida ao banco lhe proporcionava contatos sociais. Você se encontrava com amigos, fazia amizade com os atendentes e até mesmo com outros assíduos freqüentadores de fila. Era tedioso ter que esperar tanto pelo atendimento, mas era um acontecimento social que está quase extinto nos dias de hoje.
Os bancos diminuíram os caixas humanos, substituídos pelos caixas eletrônicos. Tudo em nome da eficiência e da praticidade, certo? Sim, resolve-se mais coisa em menos tempo. Mas se por um acaso você precisar pagar sua conta dentro do banco, prepare-se. Certamente enfrentará uma fila enorme. Ao invés de 20 caixas, serão apenas 2. Um deles é preferencial. O outro é pra você e para os outros 30 que aguardam na fila. Aí você poderia dizer que hoje ainda há convívio social por causa desta fila única que ainda sobrevive internamente nos bancos, certo? Errado! Estão todos estressados demais para conseguir interagir como no passado. A pressa e a meta do dia precisa ser cumprida!
E possível ainda que a maioria dos que estão na fila possui mais de uma conta pra pagar, mais de um depósito para fazer e outras tantas coisas impossíveis de enumerar. Na fila do banco de hoje você sempre irá se deparar com aquela pessoa uniformizada e um envelope em mãos. Neste envelope um calhamaço de pendências a serem resolvidas. Tudo num só caixa. E o outro guichê? Está tentando desatar o nó da cabeça dos aposentados que foram engolidos por nossa “prática” vida tecnológica.
Para os que estão acostumados e preparados para a tecnologia os novos bancos são excelentes. Mas para idosos e analfabetos é uma armadilha, uma tortura. Deve ser por isso que nos primeiros dias de cada mês as filas ficam enormes: são os idosos tentando receber suas aposentadorias nos guichês não eletrônicos. Muitos certamente irão dizer que os “caducos” só servem pra encher o saco: “Por que não deixam pra receber seus salários após o décimo dia do mês? Ficam aqui estorvando enquanto eu endureço de tanto esperar na fila! Tenho mais o que fazer!”
E quando chega sua vez, o atendente lhe fala: “Isso o Sr. já poderia ter resolvido no caixa eletrônico.” O que se pode interpretar com essa frase? O que o atendente quis dizer?
- Você é burro assim mesmo, ou está só de brincadeira?
- Você não está vendo que eu estou com preguiça de trabalhar?
- Quero que o Sr. faça tudo no caixa eletrônico porque eu não sirvo pra nada!
Como eles não se cansam de repetir a tal frase, é bom ter na ponta da língua uma resposta ensaiada: “Pois é caro amigo, quando no seu lugar colocarem uma atendente eletrônica, quero ver se ela vai me dizer a mesma coisa que você acabou de me sugerir!” Ou seja, a cada vez se substitui o homem pela tecnologia e o atendente ainda lhe sugere que procure pela máquina.
As empresas não gostam do homem porque ele tem sentimentos. As máquinas não sentem, apenas seguem regras pré-programadas. Mas assim como os homens, as máquinas falham. As exceções não são entendidas e nem resolvidas pelas máquinas. E nas exceções, estão nossos problemas.
Os bancos falam cada vez mais em personalização de atendimento, mas estão cada vez mais distantes de nós. Sugere-se que se paguem contas pela internet, nos caixas eletrônicos e em última hipótese o diálogo com as últimas peças humanas das pequenas e tecnológicas agências do hoje. Assim simplificam-se as relações. Devemos conviver com as máquinas, e não com os profissionais que antes se interessavam pelos clientes que atendiam. As pessoas são encaradas como máquinas (sem sentimentos) pelas empresas, que possuem objetivo único nos resultados alcançados (lucro). É o contexto atual em que vivemos.
O enfraquecimento das relações sociais, oriundos do avanço das tecnologias, pode ser citado como mais um fator que gera a crise da humanidade. Muitas empresas e processos deixaram de envolver a relação homem/homem com o forte argumento da eficiência e da eficácia. Em parceria com as máquinas produzimos mais e questionamos menos. Assim, temos cada vez menos tempo de convívio com família, parentes, amigos e vizinhos. O tempo que nos resta é ocupado pelas “mais diversas” formas de entretenimento: TV, internet, vídeo game, etc. Sai o real e entra o virtual.
E aí? Confuso? Não há confusão alguma. Tudo está muito claro e objetivo. Ou você ainda não está vendo? Nem todos enxergam o que está sendo relatado neste BLOG e da forma como propõe o BLOG. Por isso não se assuste. Mas seria interessante refletir a respeito….. Cabe ressaltar que a tecnologia é bastante benéfica ao homem. Mas sua aplicação inadequada e exagerada pode causar consequências desastrosas. Foi pensando nisso que este capítulo foi contruído.
– abaixo segue Capítulo 3 da Crise –